Canggu: um bom lugar pra começar


De cara, um convite: sinta. Sente o cheiro do tempero que paira pelo ar, misturado com os incensos das oferendas por todo canto, com aquele toque de maresia, com a fumaça das fogueiras. Sente o ar quente batendo nos poros, o suor que não sai do corpo. Sente a luz forte que faz os olhos se sentirem sensíveis e felizes, as cores vivas e os contrastes desse lugar. Sente tantos sabores tão intensos e tão deliciosos -aprecie, aprecie, aprecie. Sente cada batida da Gamelan, música tradicional de Bali, que vai tá tocando em qualquer esquina, por mais baixinho que seja, misturada com o canto dos galos e com as buzinas das motos

O convite é claro: sinta.

Chegar em Bali é intenso. A viagem inevitavelmente foi longa, seu corpo inevitavelmente vai estar cansado e confuso com o jet leg, e você inevitavelmente vai receber, de cara, todas essas influências pra despertarem todos e cada um dos seus cinco sentidos. A dica aqui: se permita sentir a sinestesia -e mergulhe de vez nela. Bali é um lugar de muita energia e o melhor que você faz é entender isso e entrar nessa dança.

(Alice, plena, em Batu Belig)

Canggu é um bom lugar pra se chegar. Xangú, como se fala, é uma região relativamente próxima do aeroporto (uma horinha de carro) e extremamente mais interessante do que a vizinha e badalada e turística e feia e fedida e bad vibes Kuta. Aqui a frequência flui num ritmo bom de sentir. É vibe, sabe? Tem restaurantes in-crí-veis, tem ótimos lugares pra ficar, tem um clima praiano delícia, tem lojinhas lindas, tem fácil acesso a tudo, tem muita gente muito maneira, tem nascer e pôr do sol lindos de viver, tem onda pra iniciante, tem onda pra surfista de verdade, tem praia pra correr na maré seca, tem noitadinhas gostosas e outras bem intensas.... Tem trânsito, tem, mas aqui é também um bom lugar pra quem nunca pegou uma motinha testar a experiência e sentir se vai rolar usar ela de meio de transporte.

(plantação de arroz | café da manhã cotidiano | pôr do sol em Canggu)

PRAIAS

E lá vem outro convite: desconstruir. Esquece aquela ideia de que praia paradisíaca é de areia branca e água turquesa. É, também (e Bali vai te propiciar viver isso tudo), mas por ora, olha bem pro contraste da areia preta que as praias de Canggu têm e enxerga quão bonito isso é. Chega na praia cedinho, quando o sol tiver nascendo, e repara como é lindo ele tocando nos grãos pretos. Vai pra praia no final da tarde e se permita pirar na força quente do sol que já durou um dia inteiro batendo na areia e criando uma cor que é mistura do laranja com o preto com o prateado com o vermelho. Bem... durante a tarde é melhor mesmo ficar na sombra -a areia preta fica quente pra caramba!

E vamos lá, olhando o mapa, do Sul pro Norte, temos: Batu Belig; Brawa; Batu Bolong, Echo Beach; Pererenan e Seseh. Na verdade, não são todas que fazem parte de Canggu, mas esse é o mapa praieiro que eu tracei na minha cabeça. É quase que tudo a mesma faixa de areia, uns cantos mais movimentados, outros, menos. Batu Bolong e Echo Beach são as duas mais badaladas, com mais estrutura. Brawa tem um beach club famoso todo feito de bambu, o Finns. Batu Belig tem uns quiosques gostosos e mais roots. Seseh é minha favorita, sem nada em volta além de coqueiros. Pererenan é demais também e na maré seca fica com pedras expostas que são uma belezura sem fim.

(pôr do sol em Seseh)

E POR FALAR EM BEACH CLUB...

Isso é bem comum por aqui. Uns clubes na beira da praia, com piscinão e vibe super high society e o melhor: na maioria deles você pode entrar de graça, usar a piscina, o banheiro, o chuveiro, fazer a festa e... só consumir se quiser. Consumir é caro, mas rola passar o dia e pedir só uma água de coco ;)

Alguns legais: o Finns, que eu já falei (em Brawa); o Potato Head (em Batu Belig), que tem uma parede incrível feita de infinitas janelas do século 18 coletadas por toda a ilha; o Mrs. Sippy, que não é na praia, mas a piscina tem água salgada e rola um trampolim de 5 metros; e o The Lawn (em Batu Bolong) que tem uma decoração super praiana gostosa e tem música ao vivo vibe.

(coco no Finns Beach Club)

COMER BEM

Primeiro, você desperta a imaginação: ler os cardápios, por si só, já te faz sorrir. Depois, tem aquela ansiedade gostosa que precede o prazer. A comida chega. Visão ativada: olhar que conecta, seguido do cheiro que sobe até as narinas. Tire alguns segundos pra observar. As cores, as texturas, as misturas. Sente os aromas, identifica os temperos. A boca está aguada. Mais um pouco. Primeira garfada -paladar modo on. Plenitude. Daqui pra frente: se joga. E lembre-se de respirar -vai durar mais.

Tem sido mais ou menos assim o meu ritual diário de alimentação. Das coisas que eu mais amo na vida, comer certamente tá lá no topo da lista. E essa ilha mágica te oferece um catálogo inteirinho de Pinterest pra você comer de verdade. E saudável. E barato.

(Ps útil: Warung, em balinês, é "lugar de comida".)

Canggu é um maravilhoso lugar pra se sentir um pouco disso tudo. Eu podia ficar falando por parágrafos e parágrafos sobre minhas comidas favoritas, mas vou ser prática e listar aqui meus restaurantes prediletos, seguido das suas páginas do Instagram, o que já é tudo ;)

.Shady Shack (@theshadyshack): é-tudo-delicioso. Café da manhã, almoço, janta: aprecie sem moderação.

.Crate (@cratecafe): Café da manhã/brunch dos deuses e ambiente hype pura vibe.

.The Spicy Coconut (@the_spicy_coconut): Todo vegano, explosão de sabores. Café da manhã dos reis e saladas maravilhosas.

.Peloton (@pelotonsupershop): Bicicletas, comida vegana e muito amor.

.Shelter (@shelterseminyak): Vale a pena ir até Seminyak pra comer as comidas mais saborosas no ambiente mais vibe.

.Canggu Gourmet (não tem Insta porque é local): comida mais barata da vida (média de US$4 por prato), tempero delicios, opções saudáveis & trashs.

.Memoh Warung (local-sem-instagram-bom): É o restaurante da Made, a balinesa mais maravilhosa de Bali. Tem saladas e wraps e smoothies e omeletes tudo local, homemade. #supportlocalbusiness

VAMOS FALAR SOBRE TURISMO? (ou: algumas informações soltas)

Bem, uma informação pra ficar cravada na alma de quem ler isso aqui: a Indonésia é o segundo país que mais produz plástico do planeta terra. Plástico esse que, em sua maioria, vai pro mar. É o que eu mais odeio daqui: tem muito lixo na praia. Consciência. Tenham consciência sobre cada garrafinha de plástico que vocês usarem. Eu ainda vou escrever mais sobre isso - é o tema pedra-debaixo-do-meu-travesseiro que não me deixa tranquila.

Do mais: Tanah Lot é o templo mais turístico de Bali. "Ah, mas vale a pena ir, é um ponto referência de Bali". Ok, vá, mas saiba que vai ser o templo mais caro pra entrar e que vai ter gente atrás de qualquer foto que você tirar.

(pra tirar essa foto, a gente se enfiou na praia de maré enchendo e foi fugindo da multidão)

Canggu tem pores-do-sol incríveis e incansáveis.... Aprecie e sempre que der, sai andando pela praia procurando lugares com menos pessoas. Senta lá, respira fundo, fecha e abre os olhos e agradece: Bali escuta quem agradece e devolve com sopro de vento quente que trás arrepio...

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